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Administração de Pacientes de Alto Custo pela Kaiser Permanente (KP)

28 de janeiro de 2020
Administração de Pacientes de Alto Custo pela Kaiser Permanente (KP)

Em artigo divulgado pela Harvard Business Review (HBR), neste mês de janeiro de 2020, os autores Robert Pearl e Philip Madvig apresentam um case da Kaiser Permanente (KP) na abordagem assistencial com seus clientes. A KP é um grupo formado por três empresas: operadora de planos de saúde, fundação hospitalar e centro/clínicas médicas.

Inicialmente os autores apontam um problema atual nos Estados Unidos (comum em outros países): 5% da população estadunidense consome 50% do custo assistencial total. Entende-se por custo assistencial recursos financeiros utilizados para cobrir internações, consultas, terapias e exames (ANS, 2018).

Em seguida, os autores dividiram os 5% em três grupos (1, 2 e 3) com as respectivas características e problemas específicos citados abaixo:

 

Tabela 1 Diferenciação por Grupo Modelo KP

Grupos Definição Característica Observação Exemplos Custo Assistencial Total (%)
Grupo 1 Crônicos Condições clínicas que poderiam ser melhoradas e controladas Diversas consultas ao pronto atendimento (PA) e alta incidência de hospitalização. Alta rotatividade e diversidade dos participantes Diabéticos, cardiopatas, asmáticos e doentes mentais 30%
Grupo 2 Catástrofe Eventos isolados e imprevisíveis. Ocorrem apenas uma vez na vida, em geral Sinistro assistencial imprevisível e alta rotatividade Traumas, nascimentos prematuros e câncer (CA) 35%
Grupo 3 Permanente Difícil de se restabelecer a saúde do beneficiário. Diversas condições ruins permanentes Não há cura, apenas tratamento. Alto custo assistencial Doentes renais e transplantados 35%

Fonte: Dados do artigo (2020)

 

Características reforçadas pelos autores para os grupos citados:

  • Grupos 1 e 2 são muito mais diversos do que se imaginava.
  • Os programas tradicionais de monitoramento de pacientes tradicionais (muito populares no Brasil) com gerenciamento isolado de pacientes de fato não reduz os custos assistenciais.

Programas de Gerenciamento de Doenças (tradicional):

Segundo o artigo, os atuais programas de assistência aos beneficiários crônicos são caros e demandam mão de obra de alto custo como enfermeiras e assistentes sociais. Além disso, um beneficiário com múltiplas patologias é tratado por diversas equipes, ocasionando repetição de exames, consequentemente tornando-se financeiramente inviáveis. 

Programa de Gerenciamento Assistencial Proposto pela KP – Atenção Primária (APS) Alavancada 

Ao utilizar recursos tecnológicos para monitoramento remoto do participantes (pressão arterial, batimentos cardíacos, ECG, etc), contratar mão de obra de menor custo (assistentes médicos) e direcionar à internação determinados beneficiários de mais risco, A KP economiza recursos financeiros. A inclusão dos beneficiários aos programas de gerenciamento de doenças tradicionais ocorreria apenas com a devida justificativa.

Características e Vantagens do Modelo KP: 

  1. Integração com atenção primária: evita duplicação de serviços.
  2. Tecnologia: sistemas do tipo electronic health record (EHR) auxiliam no monitoramento de pacientes.
  3. Alertas via SMS: a utilização de alertas objetiva lembrar os pacientes sobre os prazos de exames preventivos.
  4. Telemedicina: auxilia os médicos a monitorar a evolução de sintomas de patologias de beneficiários dentro dos programas (exemplo: pés diabéticos).
  5. Assistentes médicos: reúnem e organizam todas informações dos pacientes para o médico validar. O custo de um assistente médico é, em média, segundo o texto, metade das enfermeiras, e o treinamento de tal profissional tem duração de apenas um ano.
  6. Farmacêuticos: validam as mudanças de medicamentos.

Desvantagens Modelo KP:

Dependem de sistemas EHR e aplicações/tecnologias computacionais modernas. No entanto, essas estão cada vez estão mais disponíveis e o investimento é justificado pois evita visitas emergenciais e internações de longo prazo.

Casos Reais na KP

Câncer de cólon: óbitos relacionados ao câncer de intestino (CA de cólon) seriam evitados com diagnóstico apropriado. Tal neoplasia demanda, segundo informações do artigo, dez anos para evoluir. Se o pólipo não cancerígeno (fase inicial) é detectado e removido, o câncer não desenvolve. Exames de fezes atuais são precisos como exames de colonoscopia tradicionais.

Hipertensão Arterial: uma das maiores dificuldades em se tratar tal patologia, muito comum no Brasil, é acertar a dose de medicamentos necessários. Além disso, os pacientes/beneficiários não tomam os medicamentos corretamente. DIspositivos como o Apple Watch e My Signalsª auxiliam no monitoramento remoto da pressão arterial e alertas (SMS) lembram o paciente de quando tomar medicamento.

Diabetes: o uso do Facetime e Skype por assistentes médicos é uma realidade nos Estados Unidos e auxilia a monitorar feridas remotamente (pé diabético).

Conclusão

O modelo de atenção primária alavanca praticado pela KP tem como objetivo prevenir complicações assistenciais, evitar a hospitalização e reduzir o uso do pronto atendimento (PA). O modelo atual amplamente utilizado por operadoras de planos de saúde (fee for a service) deveria, como propõe o artigo, migrar gradativamente para um modelo com apoio de tecnologias de informação e mão de obra acessível.

A empresa em estudo tenta equilibrar a gestão de cuidados com a gestão financeira, ou seja, um equilíbrio no atendimento clínico com o Return of Investment (ROI) empresarial. Tal estratégia resultou em melhores resultados clínicos e reduziu o custo assistencial da KP entre 10% a 15%.

Referências

ANS. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Rio de Janeiro: ANS, 2018. (Site governamental). Disponível em: <http://www.ans.gov.br/>. Acesso em: 20 nov. 2018.

CEFET-MG. Manual de normalização de trabalho científico. Belo Horizonte: CEFET-MG, 2018. Disponível em: <http://www.dcsa.cefetmg.br/wp-content/uploads/sites/35/2017/02/Manual_Normalizaxo.pdf>. Acesso em: 20 nv. 2018.

HARVARD BUSINESS REVIEW. Administrando Pacientes de Alto Custo. Harvard Business Review (HBR). Stanford, jan. 2020. Healthcare. Disponível em: <https://hbr.org/2020/01/managing-the-most-expensive-patients>. Acesso em: 7 jan. 2020.